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Em
Maio de 1976 os Bombeiros Voluntários de Mafra, com o intuito de
angariarem fundos para a aquisição de uma ambulância,
apelaram às freguesias do concelho, no sentido de os ajudarem
na realização de uma festa dos Santos Populares, com
o contributo de marchas que apresentassem costumes e tradições
da freguesia representada.
Assim,
organizou-se um grupo sob a orientação do Sr. Higino
António Pereira, com a presença de um acordeonista.
Um dos componentes do grupo fez a letra da marcha. Os trajes escolhidos
foram os característicos deste género de movimento
cultural. Como adorno, escolheu-se um cesto com pão, para
as raparigas, e uma foice, para os rapazes, baseando-se esta escolha
nos imensos campos de trigo, moinhos e azenhas que abundam nesta
região.
Os
arcos foram enfeitados com murta, planta usada ainda hoje nos nossos
arraiais populares.
Além da marcha escolhida, foram ensaiados alguns números
de folclore da região.
Este grupo constituído por 54 elementos, deslocou-se então,
na noite de Santo António de 1976, à sede de concelho
onde actuou com agrado, tendo-se classificado em décimo lugar.
Estava assim lançada a primeira pedra para a criação
de rancho folclórico.
Em
20 de Junho desse mesmo ano, reuniram-se os participantes na marcha
e, por unanimidade, decidiram criar o Rancho Folclórico.
Os seus fundadores foram: Anselmo Branco Carreira, Higino António
Pereira e Noel Machado Fernandes Ventura.
No dia 1 de Outubro, assistiu-se ao baptismo do Rancho Folclórico
de São Miguel do Milharado, durante os festejos em honra
de São Miguel, tendo o Rancho adoptado o seu nome, em homenagem
ao padroeiro da sua igreja matriz.
O acto foi apadrinhado pela conhecida e conterrânea Beatriz
Costa e pelo ceramista José Franco, do Sobreiro.
Para testemunhar o baptismo, foram convidados o Rancho Folclórico
As Cantarinhas de Barro do Sobreiro (Mafra), o Rancho Folclórico
de Alenquer e o Rancho Folclórico Os Hortelões da
Ervideira (Mafra).
O pároco da Freguesia, Reverendo Padre Américo Freitas,
depois da cerimónia do baptismo, proferiu algumas palavras
alusivas ao acto, e de incitação aos componentes do
Rancho, no sentido de ser este um valor a continuar.
De então para cá, e tendo como principal objectivo
representar o mais fielmente possível o quotidiano dos nossos
antepassados, seus usos e costumes, levámos a efeito exaustivas
recolhas junto daqueles que ainda viveram esse quotidiano ou que
herdaram de seus avós os testemunhos que consigo mantiveram
até aos dias de hoje.
O nosso trabalho, embora dificultoso, tem vindo a possibilitar a
recuperação das danças e dos cantares, do vestir
e da maneira de ser, dos usos e dos costumes do povo da Freguesia
e da região, valores que apenas sobreviviam nas memórias
cansadas dos mais idosos. Estes valores que são parte integrante
do património cultural da nossa região e todos os
anos são apresentados em festivais organizados pelo nosso
Rancho, e nas imensas deslocações aos vários
recantos do nosso país.
O Rancho Folclórico de S. Miguel do Milharado está
inscrito na Federação do Folclore Português
desde 1977. Em 4 de Janeiro de 1985, foi feita a Escritura de Constituição,
no Cartório Notarial de Mafra, e a mesma publicada no Diário
da República III Série nº 240 de 18 de Outubro
de 1985.
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